Minha análise está correta ou a gente perde a essência conforme fica mais velho? Por quê?

Por Duran Sodré
Homem cai de um andaime. Está enroscado num monte de madeiras com metade de seu corpo suspenso. As pessoas começam a se aglomerar, me ofereço para ajudar o filho dele que está segurando a cabeça do corpulento inconsciente. Começo a subir, mas o rapaz pede para que eu pare, pois o andaime já estava com risco de desabar.
Estávamos esperando há mais de trinta minutos o socorro do SIATE chegar. Fui um dos primeiros a chegar ao local, devido a um atalho para voltar para casa que me levou até àquela cena. “Sorte”.
Nesse tempo: aflição. Não sabíamos se o homem estava vivo. O que deu espaço para que os curiosos começassem a criar teorias de seu estado, falando que estava muito roxo, que levou um choque ou que tinha tido um mal súbito. Mesmo depois do resgate, não sei nada sobre esta informação.
Se fosse um bom jornalista, aquilo seria um prato cheio. Estava com uma câmera no celular, excelente furo. Poderia entrevistar os filhos do homem, a vizinha que chamou o SIATE e que estava ali desde o início. O homem mais velho que venho da farmácia em frente e que fez sinais para o SIATE entrar na rua. Os bombeiros que prestaram o socorro e os inúmeros passantes que estavam ali desde o início.
Foco e opções de pauta não faltariam. Após cobrir o “evento”, poderia fazer uma correlata sobre problemas no andaime, ou falta de equipamentos de segurança. Poderia ir mais longe e “bater” na prefeitura, culpando a quantidade de fios de luz ou criticar a demora excessiva do SIATE. Tudo ali, na minha frente. Lindo.
No entanto, não pensei em nada disso. Aliás, até pensei. Mas não quis fazer. Não vi nada de belo na minha profissão se fosse aproveitar aquele momento e entrevistar o filho de uns 12 anos do homem. Não ganharia nada mostrando a todos uma foto de um dos piores momentos daquele cara enorme.
Porém, ao falar assim, até já posso imaginar meu professor de jornal impresso falando que um bom jornalista, cobriria aquele furo na hora, que devemos estar sempre prontos. Posso até escutar as risadas da turma, quando o professor me interrompesse na minha narração, e pergunta-se ironicamente se eu não tirei nenhuma foto da vítima.
Imagino até as defesas da nossa profissão: devemos mostrar estes problemas para que não ocorram novamente, fazemos um serviço público. Alertamos aos perigos dos andaimes ou criticamos as autoridades. Tanto faz. Fazemos algo que tem que ser feito. Posso até lembrar dos depoimentos de fotógrafos de guerra, falando sobre o seu trabalho. E porque era necessário ver tantas pessoas morrerem, tanta desgraça. Lembro-me que não me convenci.
Para mim, muitas vezes o jornalista é um sanguessuga, um sedutor que tira proveito do entrevistado e depois desaparece e mostra a todos o pior do outro. Posso estar errado, mas na maioria das vezes, se você botar na balança prós e contras acabo sendo um anti-jornalista. Desculpe.
Indicação: "O Jornalista e o Assassino" - Janet Malcolm - http://www.skoob.com.br/livro/38141

s. f.
Ansiedade física acompanhada de opressão dolorosa: os estremecimentos da angústia.
Inquietude profunda que oprime o coração: uma angústia mortal.
Filosofia. Experiência metafísica, para os filósofos existencialistas, através da qual o homem toma consciência do ser. (Sin.: agonia, ansiedade, apreensão, aperto.)

“Toy Story” é triste e ponto. O novo filme na Disney Pixar lançado recentemente no Brasil foi feito para adultos. Um arassador retrato do abandono e da perda. Vemos os personagens buscando aceitação daqueles que não os querem mais desde o começo da trama. Na história, o grupo comandado por Woody e Buzz tenta chamar desesperadamente a atenção de seu dono, Andy. Uma metáfora sobre as coisas que devemos deixar partir, mesmo que isso machuque.
Deixo claro. A história inteira é drama, drama puro. Se não fossem piadas e “frescor” humorístico de personagens como Ken e o “Buzz espanhol”. Poderíamos muito bem assistir a um drama, daqueles que te atormenta vários dias.
Não que eu esteja criticando a forma da Disney, longe disto. O longa é ótimo. Ele é denso, engraçado e pega carona com sucessos recentes da empresa como “UP- Altas Aventuras” e “Wall-E”. Tratando de assuntos sérios para um público, que na teoria, nem teria estas preocupações. Apenas, diria que tem alguns problemas de ritmo nos primeiros 20 minutos. Nada que afete o resultado final.
No entanto, o grande mérito de “Toy Story” é uma opinião mascarada. Não que eu queira bater de frente com Descartes. Mas o filme reforça a teoria que só existimos quando estamos em movimento.
Os brinquedos de Andy buscam tanto chamar a atenção das crianças, não porque querem diverti-las. Mas, para existirem. Um brinquedo só vive quando brincado. Um quadro não existe quando lacrado. Um livro não existe quando fica na estante. Assim como o ser humano não existe quando não age.
Distorcendo um pouco Descartes. Filósofo modernista que após uma série de indagações chegou na verdade primordial “Penso, logo existo” . O filme vem para dar um “empurrãozinho” nos mais acomodados.
Me aproximo. Com certo receio, ele parece não querer dar entrevista. “Só se for rapidinho, porque eu já estou de saída. Hoje não vai render mais nada nesse ponto” ele me explica. - Há quanto tempo o senhor está aqui? - Mais de 30 anos. E ainda perco dinheiro para os que não são cadastrados. – Então é difícil a batalha? Ele me olha nos olhos... Conquisto o entrevistado.
Com um bigodinho e um olhar meio desatento, o senhor já com uma idade avançada fala seu nome: Paulo (apenas isso, diz ele). Explico que quero saber sobre a vida dele, acontecimentos, visões. “Ih rapaz! A história é longa”. Tenho tempo, e nenhum papel para anotar.
Paulo nasceu
Casou-se de volta, agora com uma polonesa. “Aquela mulher me aporrinhava, falava que brasileiro fazia tudo que é serviço mal-feito, me chateava muito” relembra Paulo. Certo dia, em plena ditadura, olhou para Cecília e falou que ia dar uma “saidinha”. E deu. Viajou para o Rio de Janeiro, trabalhar com um parente na região de Friburgo, de início não o encontrou lá. Uma odisséia
Voltou para o Paraná, não antes de passar por São Paulo, Ourinhos, cidades do interior velho, trabalhava de bicos, fazendas. Chegou a Curitiba nos anos 70, tudo era muito diferente, prédios altos, muita gente e sua esposa, pra sua surpresa, estava lá. Com outro, é claro. “Nunca gostei dela mesmo”.
Trabalhou numa “firma” na CIC se acidentou e destruiu sua perna caindo de uma altura de sete metros, foi obrigado a dar seu terreno do interior à sua filha, nunca mais a viu. Viu os grandes parques sendo construídos. “Nunca fui muito de passear” Chegou a guardar cerca de nove mil reais, perdeu tudo. “Não tive alguém para me aconselhar, para comprar um terreno, investir. Não pensei muito”.
“Cheguei nesse ponto há 30 anos, nunca o perdi. Ás vezes consigo ganhar duas, três vezes a minha aposentadoria. Ser pipoqueiro é difícil, instável, mas a gente vai lutando, passei por cruzeiro, cruzado, muita coisa” conta Paulo. Anos 90 – Confisco da poupança: “A sorte é que eu não tinha nada na mesmo”.
Com certo receio pergunto sua idade, passou dos 60, diz ele, Ele quer saber a minha: “Meu Deus, você é muito jovem ainda, aproveite” diz com um sorriso nostálgico.
Paulo fecha o carrinho, são 21:00 na Praça Santos Andrade. Ainda dá tempo de anotar a frase bíblica escrita na sua pipoqueira “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade antes que venham os maus dias” Eclesiastes 12:1ª. Acho que entendi.

2º Mandamento
“Escolha sempre o melhor”
Com tantos concursos para participar, é fundamental que você saiba escolher o que lhe convém. Pra facilitar a sua avaliação, responda essas três perguntas.
a) O que você ganha?
b) Quanto tempo você irá gastar se participar do concurso?
c) Você tem disposição para participar?
Avaliando essas perguntas, escolha de preferência poucos concursos para poder trabalhar com mais qualidade em cada um deles. É muito importante que você se dedique ao máximo em seu trabalho.
3º Mandamento
“Entrar para Ganhar”
É claro, é mais do que óbvio que quando uma pessoa entra num concurso ela quer ao máximo ganhar, e só ganhar. Afinal, ninguém entra para perder. Porém, nesse mandamento queremos deixar mais claro a diferença de apenas “querer ganhar” e “entrar para ganhar”!
Nunca notou aquelas pessoas que sabem exatamente o que estão fazendo. Que falam “Vou passar no vestibular” e no fim do ano... Tcharam! Elas passam!!! Bem, é esse o tipo de pessoa que você tem que se espelhar. Quando ganhamos nosso primeiro concurso, sabíamos (pode ter certeza) desde o início que o concurso era nosso. Ponha isto na cabeça: alguém sempre ganha, porque não você?
Quando entrar no concurso. Pense não apenas “se eu ganhar”, mas “quando eu ganhar”. Pense como o ganhador do concurso, em todas as etapas desse desafio. Crie como o ganhador, planeje como o ganhador, produza como o ganhador e finalmente quando ganhar, comemore com a humildade de um simples concorrente.
“Em vez de resolver problemas de matemática, jogar xadrez, decifrar sudokus ou jogar na mega, entre em concursos para passar o tempo”
4º Mandamento
“Leia a parte chata”
É chato, é longo, não é atrativo. Mas você deve ler sim, todo o regulamento! Atente:
· Dia do término das inscrições
· O que você tem que fazer
· O formato do trabalho
· Idade limite para participar
· Critérios de avaliação
· Restrições do concurso
· Premiação (você pode desfrutar do prêmio?)
De preferência, saiba todo o regulamento de cor e saltiado. Isto vai te ajudar na hora da criação. Lembre-se: qualquer fuga ao regulamento pode te custar o prêmio.
5º Mandamento
“Diagnóstico”
É nessa parte do trabalho que você tem que colocar todo o seu raciocínio analítico para trabalhar. Analise todos os aspectos do concurso para preparar sua mente na hora da criação. Como se você fosse um publicitário e recebesse uma “encomenda” para uma propaganda. Responda aos seguintes tópicos:
· O que você tem que fazer
· Prazo de entrega (engane a si mesmo, memorize a data 2 dias antes para não deixar para última hora)
· Estilo do produto que está patrocinando o concurso (ele é jovem, sério, popular, elitizado...)
· Qual o caminho você deve seguir (reflexivo ou engraçado)
· Eu consigo produzir a minha ideia? (produção é um sério problema para os principiantes, nem toda a ideia funciona com um baixo orçamento)
· Quais serão as ideias convencionais (fuja disso! Ou se não tiver jeito, faça a melhor delas)
· Vale a pena ser muito criativo? (nem todas as ideias extremamente criativas ganham, ou melhor, vendem. Às vezes é melhor optar por algo com menos riscos),
· Qual o perfil do ganhador do ganhador
Analise também o perfil dos seus concorrentes
· Que caminhos eles vão traçar?
· Vale a pena ir com eles?
· Qual o meu diferencial?
É sempre bom você utilizar um papel para fazer todas essas análises. Qualquer dúvida você pode consultá-lo.
Exemplo auto-promocional:
Este vídeo ficou em 3º lugar no “Prêmio Volta ao Mundo Negresco de Criatividade Jovem”. Observe que ele possui uma produção precária: câmeras de “terceira” mão, planos ruins e uma edição “capenga”. No entanto, foi para a final. Isto, só pela ideia que fugiu da “geléia geral” (uma volta ao mundo).
Em certos momentos, a originalidade te ajuda muito, porém ela é limitada – “Oi, tudo negresco” possui produção amadora e dificilmente ganharia o grande prêmio.